31 de julho de 2014

Blind Date 5 - Último ( Talvez )

Se vocês ficaram atentas aos detalhes, não estarão tão surpresas com esse final.
Não sei se irei satisfazer as espectativas da Sílvia, mas irei dizer-te que tive o maior prazer em escrever essa pequena estória. Não sei de onde surgiu a ideia, mas amei de coração. Tu querias Drama, eu acho que te dei e muito.


Talvez tinha sido estúpida, ou fiz a coisa certa. Há alguns dias atrás se tivesse que estar onde estou agora, não me importaria, porque a minha vida inteira tive consciência que era assim como tudo terminaria.
Podia ter aproveitado cada minuto, ter conquistado legiões de pessoas, ter vivido o máximo que podia.
Mas se apenas algumas horas que vive, deixavam-me mais revoltada do que estive por vinte anos.
Não queria perder aquilo agora, porém não havia outro culpado se não eu.
Ignorei como minha mãe não fez, como minha família inteira não tinha feito. Simplesmente ignorei porque sabia que nada mudaria. Eles tinham lutado e terminaram do mesmo jeito. Apenas deixaram crianças sofrendo, crianças abandonadas, crianças temendo pelo seu momento. Crianças que cresceram sabendo que nada que pudessem fazer mudaria. Mas aposto que meus cinco primos tinham tido uma vida completamente diferente da minha, aposto que desde pequenos tinham tido mas precaução que eu tive. Tiveram mais cuidados, até podem ter sofrido mais e diferente de que eu sofri.
Apesar de terem perdido a mãe ou o pai, não tinham perdido os dois. A mãe não tinha morrido segurando a sua mão dizendo o quanto amava o pequeno ser que tinha posto ao mundo, apesar de ter posto sabendo que sofreria tanto quanto ela sofreu. Como também não viram seu pai morrer ainda tentando superar a morte da mulher amada. Não tinham crescido com avós que em cada minuto faziam os lembrar que seus corpos eram uma bomba relógio. Tinham tido amigos, porque seus colegas não sabiam a sua história e não achavam que tu irias contamina-los.
Eles tinham vivido, se calhar já tinham continuado a transmitir os genes danificados de nossa família, não tinham sido como eu. Evitando apegar-se e contagiar alguém. Nunca, nem que eu tivesse mais tempo de vida seria mãe. Nunca que iria amar, tudo que eu não sou é ser egoísta, e fui com Laura.
Com aquela loira desinibida e sonhadora. E também com Sam, que me tinha proporcionado a melhor noite de minha vida, e viu-me expelir sangue por muitos orifícios de meu corpo, como se tivesse vendo um filme de horror em terceira dimensão.
Uma imagem que eu tinha a certeza que nunca sairia de sua mente, como ainda conseguia ouvir o som da bala que meu pai disparou no interior de sua boca enquanto eu via desenhos animados em menos de um metro de distância de onde ele se encontrava.
Porque ele tinha sido egoísta e fraco.
Porque não era capaz de me ver crescer para morrer, ou para deixar alguém nesse mundo para morrer.
***

O som conhecido do bip das máquinas que ficavam ligadas ao corpo, controlando o nosso coração e pressão, foi a primeira coisa que ouvi quando meus sentidos voltaram.
O tecto branco era tão semelhante ao mesmo tecto onde vi minha mãe pela última vez, onde nos tínhamos despedido, onde provavelmente minha avó também tinha-se despedido dos seus filhos. O último lugar onde todos os membros da família da Silva.
Sentia tubos não só enfiados nos meus braços com também no meu nariz.~
Pelos vistos estava pior que minha mãe.
O som de um choro abafado dominou a sala, fazendo-me perceber que não estava só naquele quarto.
Ordenei meu corpo a mover-se repetidas vezes, tentei até mover meu pescoço, mas meu corpo não obedecia.
- Porque não sinto as minhas pernas – minha voz saiu fraca e muito rouca – Porque não sinto meu corpo – gritei – O que está acontecendo? – Gritei.
Mesmo gritando com todo o fôlego que tinha, meu corpo nem um sinal dava. Apenas dois pares de olhos conhecidos surgiram no meu campo de visão no meio de outros três que nunca antes tinha visto.
Laura e Sam.
Minha melhor amiga tinha seus olhos azuis avermelhados e as lágrimas corriam por seu rosto desesperadamente. Sam segurava ela, como se sem suas mãos ao redor de sua cintura ela seria incapaz de manter-se em pé.
Ele tinha a mesma roupa apesar de agora suja com sangue, meu sangue, e não era o sangue que toda mulher perdia quando seu hímen rebenta-se. E sim sangue de uma jovem de vinte anos que morreria porque tinha herdado genes de câncer, que se tinham alastrado por todo seu corpo.
- Sílvia – disse a dona dos únicos pares de olhos que antes não tinha observado – Sabes quem sou? – Perguntou como se aquilo fosse provável acontecer.
- Porque eu não sinto meu corpo? – Disse com a voz ainda mais rouca devido as lágrimas que agora corriam por meu rosto – Porque eles estão aqui? – Gritei com a doutora Emily – Tu prometeste-me que ela não me viria assim – disse sem ter coragem de olhar para as duas pessoas com quem tive as relações mais intimas em toda minha vida.
- Porque tu não me contaste? – Ouvi a voz que mais me irritava e animava, que apesar de normalmente quando a ouvisse só parvoíces ouvia, melhorava muito meu dia. Apesar de não conter o ânimo com que estava habituada, provocou a mesma alegria, como se a dor que sua voz continha fosse boa para minha alma.
- O momento chegou? – Doutora Emily disse lembrando-me dos papéis que tinha assinado em nossa última consulta – O cancro está por todo canto de seu corpo, incapacitando o funcionamento dos teus órgãos, tu mal consegues respirar – explicou meu estado – Qualquer momento nem isso conseguirás fazer!
- Porque ainda estou ligada as máquinas? – Perguntei.
- Seus amigos imploraram para que pudessem despedir-se – justificou.
- Posso processa-la por isso – ameacei-a.
- Você está morrendo, você já morreu – a voz irritada de Sam tomou conta do lugar – Pelo menos um “tchau “ merecemos – disse fazendo o choro de Laura aumentar.
- Injecta-me a maldita da seringa – ordenei para a doutora.
As mãos delicadas e frias de Laura entraram em contacto com meu rosto, girando-o para que pudesse ver de perto seus olhos cansados e carregados de lágrimas.
- Tu não ficas nem um pouco bonita chorando – disse fazendo-o sorrir.
- Como você consegue ser estúpida agora? – Disse ainda com um sorriso nos lábios.
- Não vou morrer virgem, sabe – segredei.
- Aleluia, meu plano deu algum resultado – comentou sorridente e o som da máquina que fazia bip sumiu, como também o ar começou a falhar deixando-me ofegante.
- Manda. O. Tom. A. Merda. – Disse com imensa dificuldade – O Sam é como tu – disse desviando o meu os olhos para o homem que nos olhava com o rosto vermelho e as lágrimas correndo – Vocês…
- Por muito irritada que estou, nunca me irei esquecer de ti – seus olhos sumiram do meu campo de visão e sua voz estava tão distante, tão longe – Minha menina das terras de Camões – a última coisa que ouvi.

Fim…
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Olá Meninas!
Vamos esclarecer algumas coisas 'tá?
Não te desejo nada disso, apenas fluiu e teve que ser, Sílvia, espero que tenhas muitos filhos e que conheças o Sam. É só mesmo uma história, e tu pediste-me Drama e estava a ser muito romântico. Então? Aí está!
Ainda tem um bónus, por isso as reticências aí no fim! Então matem-me depois meninas!
Foi maravilhoso escrever essa curtinha! E culpem qualquer ideia confusa a minha febre tá :P
Espero imenso que tenham gostado, porque amei escrever Blind Date, e espero não ter surpreendido tanto, porque dei muitos sinais.
Então, Até amanhã, Beijos

9 comentários:

  1. Adorei o capítulo!A Sílvia vai mesmo morrer ou ela vai acabar por ficar bem?
    No final, o Sam e a Laura ficam juntos, como na vida real!
    Posta logo.

    Beijos :)

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    1. Por eu ser muito boa pessoa postarei ainda hoje o Bonus.. Vocês têm sido muito queridas :D

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  2. Hey
    Esses dois últimos capítulos foram, sem dúvidas, os melhores! Um dos melhores desfechos de história que já vi!
    Faz mais um capítulo com os pensamentos do Sam sobre a morte dela, já que ele não falou muito com ela. Se achar que vale a pena, claro.
    Esse capítulo mexeu muito comigo, parabéns!
    Agora estou ainda mais curiosa para saber o que vai fazer comigo! Kk já sabe o nome da próxima mini fic?
    Posta logo o/
    Beijos!

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    1. Oh Meu Deus, estou chorando
      Obrigada, muito obrigada. Nunca pensei ler que escrevi um dos melhores desfechos na opnião de alguém.... Aí meu Deus... Irei pôr nas minhas redes sociais :$
      Obrigada.
      Acho que vais gostar do Bónus... mais ou menos isso.
      Obrigada de novo.
      Vou fazer algo muito fofo, e agradece ao meu vicio no Teen Wolf, porque a música que me inspirou surgiu porque fui ver videos do Stiles. Acho que irás gostar.
      Ainda hoje acho que posto por que estou tão feliz

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  3. Eu adorei! Mesmo sendo um grande Drama. Mas nunca pensei que pudesse ser isso. Achei que o Sam iria me largar e ficar com a Laura. A propósito adorei o gif da Laura!
    Posta logo.
    Beijos.

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    1. Ufa!!!! :D
      Você adorou...
      Desculpa mesmo com o que fiz contigo, nada contra ti.
      Oh achei ele perfeito para esse capítulo.
      Aiii ja postarei :D

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  4. Seria ridículo se eu dissesse que não gostava. Sempre gosto de Drama. Seja qual for, desde que esteja bem escrito, como esse está.
    Pobre da Sílvia! Morre mesmo depois de ter tido uma noite de amor com o Sam! Só podia ser castigo!
    Posta logo.

    Bjs :)

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    1. Ohhhhh :D Sério ?
      Hahahahaha
      Obrigada.... =D
      Não se pode ter tudo, não é?
      Já estou postando

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  5. TT-TT. fui dar uma de ler logo que cheguei em casa agora estou com a cara toda borrada. amei a historia, mal posso esperar para ler mais.

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